Santo de julho: Santo Inácio de Loyola
- pascomsaopio23
- 17 de jul.
- 3 min de leitura

Inácio de Loyola nasceu na Espanha, em 1491, em família nobre. Quando jovem, sonhava em conseguir glórias por meio da guerra e estava “entregue às vaidades do mundo”. Porém, sua vida mudou completamente quando, na Batalha de Pamplona (1521), uma bala de canhão partiu sua perna direita e deixou lesões na esquerda.
A lesão foi muito séria e quase o levou à morte. Acamado por um longo tempo, pediu livros de cavalaria para se distrair, mas a biblioteca da família, herança da sua falecida mãe, só tinha livros de santos. Foi então que Inácio começou a contemplar a possibilidade de levar uma vida como a deles: quando pensava em imitar os santos, seu coração se enchia de alegria duradoura. Quando pensava em voltar às guerras, a alegria que sentia era passageira. Uma vez recuperado, renunciou à riqueza de sua família e passou a buscar uma vida de oração.
Viveu como eremita e mendigo, aceitando esmolas, jejuando e se vestindo com tecidos crus de sacos de alimentos. Passou a auxiliar doentes em hospitais, e orava e pernoitava em mosteiros. Passou por diversas provações e desânimos na caminhada de fé, mas também foi confirmado por visões fortíssimas, como conta em sua autobiografia: "Estas visões o confirmaram então e lhe deram tanta segurança sempre da fé, que muitas vezes pensou consigo: se não houvesse Escritura que nos ensinasse estas verdades de fé, ele se determinaria a morrer por elas, só pelo que vira".
Tinha vontade de se dedicar ao bem dos homens e imitar Cristo, portanto pregava e ensinava em todas as cidades que passava. Suas pregações e seu grupo de oração foi confundido com uma seita, pois Santo Inácio não havia estudado teologia formalmente. Depois de ser perseguido diversas vezes pela Inquisição Espanhola, teve permissão do Papa Paulo III para fundar a Companhia de Jesus, em 1534. Os jesuítas, como foram chamados, foram responsáveis por levar o catolicismo às Américas e ao Oriente, a pedido de Paulo III. O lema dos jesuítas é Ad Majorem Dei Gloriam (pela maior glória de Deus).
Como orar
Durante sua vida de oração e peregrinação, passou a anotar suas reflexões num caderno que logo se tornaram os Exercícios Espirituais, segundo ele, “qualquer modo de examinar a consciência, meditar, contemplar, orar vocal ou mentalmente e outras atividades espirituais... porque, assim como passear, caminhar e correr são exercícios corporais também se chamam exercícios espirituais os diferentes modos de a pessoa […] procurar e encontrar a vontade de Deus”.
O roteiro sugere diferentes modos de orar e um caminho de discernimento para sua vida religiosa. Por exemplo, Santo Inácio encorajava mais de uma leitura das mesmas passagens bíblicas como forma de entender o que Deus quer nos dizer. “Porque não é o muito saber que sacia e satisfaz a alma, mas o sentir e saborear as coisas internamente.” (EE 2)
Quando questionado, pelos companheiros da Companhia de Jesus, como rezar quando o dia tem muitos afazeres, Inácio disse que o exame diário é imprescindível. O exame diário contém esses passos: 1. Pedir luz e graça para descobrir Deus naquilo que viveu; 2. Agradecer pelos dons recebidos; 3. Reconhecer as falhas; 4. Se houve falhas graves, fazer uma oração de perdão; 5. Fazer um propósito para cumprir sua graça.
A Santa Indiferença
Inácio não acreditava em coisas boas e coisas ruins, mas sim no que nos aproxima ou nos afasta de Deus. “De tal maneira que, de nossa parte, não queiramos mais saúde que doença, riqueza que pobreza, honra que desonra, vida longa que breve (...) desejando e escolhendo apenas o que mais nos conduz ao fim para que fomos criados.” (EE 23)
Vencer a si mesmo
Porém, em resumo, Santo Inácio via a humildade como o verdadeiro fundamento de todas as virtudes. “A humildade mais perfeita consiste no seguinte: no intuito de imitar a Cristo nosso Senhor e de mais a ele me assemelhar efetivamente, eu quero e escolho antes pobreza com Cristo (...) desejo mais ser tido por insensato e louco por Cristo que primeiro foi tido por tal, que por sábio ou prudente neste mundo.” (EE 167)
Rezemos juntos a oração de Santo Inácio de Loyola:
Tomai, Senhor, e recebei
toda minha liberdade
e a minha memória também.
O meu entendimento
e toda a minha vontade.
Tudo o que tenho e possuo,
Vós me destes com amor.
Todos os dons que me destes,
com gratidão Vos devolvo.
Disponde deles, Senhor,
segundo a Vossa vontade.
Dai-me somente
o Vosso amor, Vossa graça.
Isto me basta,
nada mais quero pedir.
Amém!
Fontes: Wikipedia, http://jesuitasbrasil.org.br, https://ignatiana.blog/, Exercícios Espirituais (Edições Loyola, 1985), Autobiografia de Santo Inácio (Edições Loyola, 1991)